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SÃO PAULO SUPERFASHION

No alto do edifício Martinelli, no centro de cidade, a festa de abertura da edição que comemora 15 anos de São Paulo Fashion Week deu um start cheio de estilo à temporada fashion local, exatos dois dias depois da comemoração do aniversário de 457 anos de São Paulo. É raro ver todo mundo tão contente e feliz num contexto assim e, olhando na internet no dia seguinte, observo que os fotógrafos e paparazzi de plantão não chegaram a captar o mood da festa, que teve uma conjunção de fatores favoráveis. Para começar, o cenário deslumbrante, a céu aberto, em noite de alto verão. Isso em plena época de chuvas intensas que, com o santo forte do produtor Paulo Borges em ação, não deram as caras e garantiram a felicidade geral de 250 convidados que se revezavam no entra-e-sai fashion. Outro ponto positivo aí. Ninguém ficou se espremendo porque, pela dinâmica da festa, o lugar não chegou a ficar lotado, algo tão banal nos “eventos” do gênero. Em condições ideais de frequência, a ambientação também era ideal: grandes espelhos, iluminação bacana – com muita luz de vela -, flores lindas (de Daniela Toledo, prima de Vic Meirelles, o famoso florista paulistano), comidinhas ótimas e gente bonita no melhor alto astral. Para completar, o toque glam veio das pick ups do trio de meninas De Polaina, que tem o charme, a graça e o talento das DJs Marina Dias, Ana Flavia e Adriana Recchi. Amigas há um tempão, elas se divertem até com o fato de as sobrinhas adolescentes também já estarem atuando como DJs. Com som ótimo e toques retrô à la Hollywood anos 1950, com citações de mambo e rumba, me lembrei até da Gilda de Rita Hayworth.

Da série memórias à italiana, também lembrei-me, a caminho do centrão, dos tempos em que, na infância, ia atrás de sapatos clássicos (para a escola) no Mappin, cortava cabelos no salão do barbeiro do Hotel Excelsior ou seguia com minha amiga Maria Pia para visitar o pai dela, Francisco Matarazzo, no escritório. Sempre achei o máximo o centro de São Paulo e, no caso do Martinelli, edifício símbolo de uma cidade moderna já no começo do século passado, a admiração começava pela iniciativa do italiano Giuseppe Martinelli, que fez fortuna no Brasil e realizou ali seu grande sonho arquitetônico, desenhado, no caso, pelo húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena. Não bastasse isso, passado o período de decadência do prédio e a reabertura com pompa e circunstância em 1979, quando Olavo Setúbal era o prefeito da cidade, fotografamos ali, Miro e eu, uma matéria muito legal com vestidos habillés e as modelos encaixadas nas grandes janelas. Era uma ideia meio surreal, meio filme de Alain Renais. Tudo nos meus tempos de revista Claudia. Mas como o tempo não pára – e a moda idem – hora de abstrair do momento début da SPFW e seguir para os desfiles de inverno, ainda sob um calor de 30 e tantos graus.

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Costanza Pascolato
28/01/2011
Postado em: 28/01/2011

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