Compartilhe

MUSAS

Segundo o dicionário Houaiss, as musas eram filhas de Zeus e Mnemósine, que dominavam a ciência universal e presidiam as artes, ou seja, eram divindades para as quais os artistas deveriam pedir inspiração. Essas deusas, no imaginário antigo, tinham uma aparência estonteante, eram lindas gregas, vestidas com túnicas brancas voluptuosas e cabelos longos e dourados de uma beleza incontestável.

Era tradicional, quase ritualístico que artistas, escritores, músicos, pintores e poetas do passado pedissem antes de iniciar algum trabalho a bênção das musas do Olimpo ou então como fez Camões em ‘Os Lusíadas’ que pediu inspiração às ninfas locais de Portugal, musas do Rio Tejo. E foi assim a primeira vez que as musas se nacionalizaram – e elas são lusitanas afinal, Deus é brasileiro. Tem lógica.

Depois, com o passar dos tempos, a concepção do que era, ou melhor, de quem era musa ganhou corpo literalmente e foi com as modelos para obras de arte que elas se tornaram famosas, mulheres de carne e osso, populares, pois podiam ser reconhecidas e passaram a ter nome e sobrenome. A musa de Goya era a Duquesa de Alba, a de Picasso foram várias [óbvio]: Olga Khokholva, Marie-Térèse Walter, Dora Maar, Françoise Gilot, Jacqueline Roque. Entretanto, mesmo sendo humanas, elas estavam ligadas à inspiração que o par amoroso proporciona ao ser amado.

Quem nunca ouviu falar da ‘musa do Timão’ que com shortinho e top alvinegro dançam à la cheerleaderantes da partida e deixa mais louca a fiel torcida? Ela é bem diferente da modelo-musa, musa-modelo Kate Moss, mas que também é tão endeusada quanto a do Corinthians. Só que a inglesa inspira estilistas britânicos e suas coleções. A musa do Timão não inspiraria nenhum estilista e eu duvido que a magreza da Kate Moss levante uma arquibancada sedenta no Parque São Jorge.

Nos dias de hoje, para ser uma musa de modo geral, é preciso ter atributos físicos que agradem quando inseridos em determinados cenários. Repare que não disse beleza física, mas atributos, o que é bem diferente. A inspiração que as novas musas favorecem fica a critério da platéia, que as elege e as aplaude. Bem democrático.

Liliane Ferrari
Postado em: 10/05/2011

Veja também