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ENTRE NESSA FESTA

As party girls poderão respirar aliviadas no próximo verão europeu. Dois extraordinários nomes da nova geração – Peter Dundas para a Pucci e o novo darling Olivier Rousteing, para a Balmain – vão defender a qualidade do design sexy. As duas grifes reconhecidamente conversam em linha direta com uma elite de jovens de sensualidade incandescente, glamour iconoclasta e nenhum compromisso com tradições. É uma maneira chique de viver, mas que despreza tudo o que é old fashion, “embolorado”. Tem um estilo “meio rock” sem ser obviamente rock’n’roll. Elas vestem roupas de subversão maliciosa – com silhuetas reveladoras, de pegada rica, ultradecorativa e exuberante – e calculada indiferença pelo decoro e pelas convenções. A mensagem é de um lifestyle generoso, com indisfarçável preferência pelo divertimento, que encoraja uma atitude “abra suas asas, entre nessa festa”!

Peter Dundas é diretor artístico da Emilio Pucci desde 2008 e vem injetando um espírito jovial e luxuosamente dark, com notável rejuvenescimento da marca. Declara não ser um estilista cerebral e confessa que, para ele, o sex appeal é o principal guia na hora de criar uma coleção. O norueguês identifica na Pucci uma celebração da liberdade que tanto admira, além de representar um tipo de glamour que ele pretende conservar e desenvolver com sua linguagem contemporânea. Para o verão 2012, resolveu trabalhar com o tema “cigana sexy”, traduzido em vestidos e duas-peças fluidos que deixam a barriga de fora, assim como em vestidos/lingerie com sensacionais e estratégicos recortes delineando a silhueta, intercalando renda e tecido com a icônica estampa da casa.

Quase desconhecido, Olivier Rousteing, 26 anos, é o novo estilista sensação da Balmain. Ele desfilou sua primeira coleção em Paris em setembro último, sob os olhares atentos do establishment de moda mais exigente do planeta. Conseguiu restabelecer a credibilidade e o brilho da maison após a partida inesperada de seu antecessor, Christophe Decarnin, do qual foi assistente. Com um mix de referências aparentemente incompatíveis – Las Vegas, México, caubóis e toureiros –, Rousteing criou uma coleção de grande classe e frescor. A precisão do corte, o intenso trabalho de bordado e adorno que mantêm a linha sem nunca cair no vulgar e a atitude próxima do streetwear conquistaram a preferência de uma nova geração – a dele –, que agora se mostra a favor de uma extraordinária, incomum e exuberante maneira de ornamentar as roupas. “Quis respeitar a tradição de alta-costura da maison Balmain e ressaltar a contribuição de Oscar de la Renta para a marca, além de olhar para o trabalho de Nudie Cohn, designer das roupas impetuosamente kitsch dos cantores de country dos anos 60”, explicou.

Talvez não seja por acaso que os dois grandes expoentes do sexy-chic do momento tenham trabalhado juntos no ateliê de um dos precursores do gênero. Olivier Rousteing foi assistente de Peter Dundas quando o designer trabalhou com Roberto Cavalli em Florença. Ao lado de Gianni Versace, Cavalli foi o divulgador da superabundante ornamentação e sensualidade na moda dos anos 90. Dundas e Rousteing parecem ser sucessores respeitáveis e merecedores, desenvolvendo, cada um, uma promissora voz pessoal.

Foto 1: A cigana sexy de Peter Dundas para a Pucci.
Foto 2: O mix de referências kitsch que passa longe do vulgar da nova Balmain.

Revista Vogue Brasil nº 401 – janeiro 2012 – Glamour em Foco

Costanza Pascolato
Postado em: 13/01/2012

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