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CLÃ PASCOLATO

Agradeço súper ao Igor por ter feito esta linda entrevista no Leia Moda!

As Pascolato e o império da informação de moda para o mundo
: Igor Zahir – zahir@leiamoda.com.br

Recentemente, o estilista Tom Ford disse uma frase mais ou menos assim: “Um gentleman, hoje em dia, tem que trabalhar. Pessoas que não trabalham são geralmente entediantes e entediadas.Você tem que ser apaixonante, engajado e contribuir com o mundo”. Pois bem. É nessa frase que me baseio para começar esta reportagem. Falando, não de gentlemen, mas de ladies. Sim, porque elas são verdadeiras damas, que trabalham e mexem até hoje com a história da moda nacional. Desde a saudosa Dona Gabriella e sua tecelagem, até a sofisticada e elegante Consuelo e seu blog. Estou falando das mulheres do clã Pascolato.

Dona Gabriella, já falecida, foi a responsável por fundar um império de moda que hoje se firma como um dos mais concretos do país: a Santaconstância. Muitos já devem ter lido por aí sobre o modo como ela chegou ao Brasil no período difícil que foi causado pela Segunda Guerra Mundial, com seus filhos Constanza e Alessandro ainda pequenos. Você também já deve saber que o modo como eles foram bem acolhidos pelos Matarazzo, família das mais tradicionais do high society brasileiro. Mas, não haverá definição mais bonita de Dona Gabriella Pascolato do que a que tem na carta que sua neta Alessandra escreveu. Confira um trecho da carta publicada no blog da Consuelo:

“Dona Gabriella não escolheu ser Rainha, a vida lhe impingiu esse papel e ela o assumiu sem titubear. Afinal sua família precisava dela. Como toda Rainha que se preze, ela foi bonita, inteligente, elegante, trabalhadora, incansável, atenta. E também foi durona, mal humorada, ranzinza, pois as Rainhas têm de ser fortes. Muitas vezes pessoas que não a conheciam direito me disseram, ‘sua avó é tão fofa!’. Eu me calava e dava risada, pois fofa ela não era. Desde que me conheço por gente me lembro de ouvi-la dizer: “Sempre eu que tenho que fazer tudo nessa fábrica, família, casa…” ou simplesmente virar os olhos, balançar a mão e dizer “Já te expliquei que…” E ela tinha razão. Era sempre ela que fazia as coisas, resolvia problemas, cuidava, à sua maneira, da família. Mas o que podíamos fazer? As Rainhas são mais rápidas, mais ágeis, mais articuladas”.

Nesse trecho dá para ter uma ideia do que foi essa mulher fascinante que podemos afirmar precursora da moda feita aqui. Imaginem o que é viver na época dos brilhantes Dener, Zuzu Angel, Clodovil, Guilherme Guimarães, e acompanhar cada passo que a moda deu desde então, até o sucesso de sua filha, a famosa Constanza Pascolato. Ela é outra: crítico de moda nenhum no mundo abriria a boca para questionar tamanha elegância. Considerada – e com todo o mérito! – a papisa da moda, ela já colaborou com seus comentários para diversos veículos da mídia, seja em colaborações para sites e revistas de peso, ou um breve comentário sobre algo que alguém lhe pergunta nos bastidores.

Recentemente, vi um vídeo onde perguntaram o seu ponto de vista do tão falado caso Galliano. Enquanto grande parte da mídia quer saber o futuro da grife, a sábia consultora ressaltou que a Dior investiu milhões para construir o império que tem hoje, e que não é uma pessoa cuja imagem esta totalmente associada à marca que vai destruir isso, até porque, além dele, tem toda uma equipe de criação muito competente responsável por manter o patamar. Um simples comentário faz perceber como existem poucas pessoas como Constanza por aí, com um senso não só de moda e negócios, mas também de visão real das coisas.

Hoje, sobre o melhor lugar para ver como ela é atualizada e merecedora de tanto mérito, eu aconselho entrar no site da Santaconstância e ler o que ela sempre escreve sobre tendências e estilo. Lá, além dos posts da equipe de estilo e de Consuelo, dá para comprovar que Constanza Pascolato está mais afiada que nunca.
Ah, por falar em Consuelo – a filha de Constanza -, não caberia apenas aqui o que se pode trazer de informação sobre ela. Imaginem vocês uma pessoa que mora em Florença, embora não passe sequer 15 dias em casa, viaja os principais polos de moda, atualiza constantemente um blog super elegante onde dá para ver imagens de primeira qualidade sobre tendências e tudo o que há de mais refinado ao redor do mundo. Ela consegue garimpar informações para a Santaconstância e ainda concilia isso com a vida de mãe e mulher.

Quando falamos sobre a família Pascolato, principalmente sobre Constanza, passa uma impressão de poder, onipotência, de pessoas que estão num patamar acima de nós, meros mortais. Mas Consuelo Blocker Pascolato faz entender que não é assim. Além de toda essa aura de luxo, ela é educada, gentil, esbanja jovialidade e é ´facebookeira` das que mais interagem com todos da mesma forma. No mais, o que se pode dizer dessas mulheres é que não há termos no mundo da moda que as rotule: damas, socialites, it girl´s. Não, se fosse para definí-las, eu usaria apenas “As Pascolato”. Nome próprio que fala por si só por ter virado sinônimo de tudo que há de mais refinado em nosso país.

E, em meio a tantas viagens e desfiles, Consuelo me respondeu a algumas perguntas rápidas:

Leia Moda – Quais as impressões/lembranças, que você mais tem de sua avó com ligação em moda?
Consuelo Blocker – Desde pequena ia à Fábrica Santaconstancia. Lembro quando a vovó, com seus técnicos, inventou um método único e todo brasileiro de criar a chenilha que foi um sucesso nos anos 70. Lembro das reuniões de criação onde ela criava os seus xadrezes elegantérrimos de fio tinto. Lembro dela linda e sorridente na FENIT recebendo cada cliente. E também lembro dela durona todos os dias na fábrica até os seus 90 anos fazendo muitas coisas acontecerem.

LM – Como é sua colaboração com a Santaconstância? Você busca tendências e se aperfeiçoa de tudo o que acontece no jet setter internacional. De que forma você transforma isso em informação para a tecelagem?
Consuelo – Vivendo na Europa, tenho contato imediato com todas as novas tendências. Viajo constantemente para as capitais da moda: Paris, Milão, Londres, Nova Iorque, e é lógico, Florença. Nunca fico mais de 3 semanas em casa. Também vou aos desfiles em Milão e Paris. Mas além de ver o que está sendo lançado, eu entendo a cultura tanto da Europa quanto do Brasil. Portanto, consigo traduzir de forma eficaz a informação a ser passada. Junto com a Costanza e equipe, discutimos as tendências mais importantes, as quais acreditamos que vão pegar no Brasil e a estrada a ser tomada para criarmos as coleções.

LM – Quem é que fica por trás da Direção Criativa da Santaconstância?
Consuelo – Costanza e equipe.

LM – Sobre seus filhos, Cosimo e Allegra, eles dão alguns sinais de que vão seguir o mesmo caminho? Como você acha/imagina que serão os caminhos deles em relação ao mundo da moda e as empresas das famílias?
Consuelo – Eles são pequenos ainda para saber. Posso dizer, sim, que os dois têm muito estilo e bom gosto.

Foto: Fifi Tong. Imagem para o livro Origem.

Consuelo Pascolato Blocker
Postado em: 30/03/2011

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